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And it rips through the silence of our camp at night and it rips through the silence, all that is left is all/ that I hide " petit-bee, writer.

A poem about Johnny Depp by Tim Burton
entrehorizontes:

Já se passava das três da manhã e o sono ainda não havia me visitado. Chorei quieta, deixando cair pelo rosto lágrimas que vinham de dentro do coração. Como se já não bastasse as peças que a vida me prega, ainda preciso lidar com um caos interno. Dentro de mim existem extremos, que quando despertados causam a maior tempestade. É complicado sobreviver a cada uma delas, ainda mais em uma madrugada fria e solitária como esta. Depois de por para fora toda a agonia através de gritos abafados, o céu parece limpar-se. As nuvens negras vão embora, mas deixam suas marcas de destruição pelos lados. São os livros e objetos que atirei no sofá, e meu cabelo bagunçado, assim como todo o quarto. Bagunça maior vem dentro do meu peito: Nem a ausência da chuva é capaz de me presentear com um pouco de calma. Reparei entre minhas marcas que tenho me transformado em uma tempestade constante… Onde anda o sentido em tamanho caos? Não sou capaz de compreende tanta ansiedade para poucos acontecimentos. É muito coração para pouca vida, se é que me entende. Ando exausta com esses pesos sobre meus ombros. Histórias inacabadas que insistem em seus três pontinhos. No final das contas, não são as interrogações que me doem, mas a falta de pontos conclusivos. A falta de convicção, de certezas. Falta de estradas, e de noites para dormir. As manchas escuras sob meus olhos não me deixam mentir… Esqueci de sonhar antes de dormir. – Isla Cezzani
entrehorizontes:

Menina moça de pálpebras vermelhas e arranhadas. Sinal de tanto esfregar seus olhos procurando limpar os vestígios de uma dor funda que se expressava através do sabor salgado de suas lágrimas. Vivia a sentir, e não menosprezava seus sentimentos. Sento-me quieta pronta para lhe contar a história do coração da menina moça. Desde pequenina segue uma busca quase frustrante em querer compreender os raios do sol e a escuridão de uma noite sem estrelas. Na verdade o que lhe guia é a luz que vibra em seu corpo e desperta em seu coração uma fé incontestável. Nunca acreditou muito em verdades supremas, tampouco fora capaz de compreender e distinguir o certo do errado. Para ela, a vida era uma questão de coração, sem desprezar a racionalidade. Porém preste atenção lhe custou muito tempo até chegar a estas conclusões.  Menina que enxerga alegria, e ao mesmo tempo não foge das lágrimas. Seu espírito vive em busca de um equilíbrio que certa vez ela conhecera em uma das páginas daqueles velhos livros. Felicidade para a menina moça é uma jornada. É algo mais parecido como o vento, que por vezes, permanece escasso. Mas hora ou outra volta a lhe despentear. A menina se contagia e vê graça em um sorriso desconhecido. Repara nos raios de sol que passam por entre as folhas da grande árvore e agora aquecem sua pele. É disso que a menina vive, e possui uma fome assustadora para a vida. Conhece de perto a tristeza, e não mente quando diz que esta não é assim, tão feia. Mas volta a lhe repetir que felicidade não é utopia, mas também não é uma busca insana. Felicidade é apenas um olhar que a faz compreender o quão bela é esta vida. Vem com uma bagagem cheia que por vezes, pesa em seus ombros. Conhece amores, dos mais diversos tipos. E preciso lhe contar sobre o brilho de seus olhos. Encontra-se entristecida com tamanha miséria encontrada do outro lado de sua porta. Mas o coração desta menina é regado antes de qualquer coisa de fé e esperança. Ela acredita, e acredita de olhos bem fechados e dedos cruzados, que o amanhã… Ah, este amanhã guarda surpresas para um mundo melhor. – Isla Cezzani
entrehorizontes:

Envelheci trinta anos e alguns meses em apenas uma noite. Levantei da cama sustentando os fardos de uma vida inteira, e quase não pude me sustentar de pé. Suponho que às vezes a vida costuma a exigir mais do que estamos dispostos a oferecer. E talvez, esta seja a graça. Cavei fundo na alma para encontrar entre aquilo que eu sou, vestígios de alguém que posso ser. Foi então que me enxerguei tão velha diante da alma. As lágrimas que caíram dos meus olhos nas noites passadas são como folhas de um outono agradável, ao passo que também era triste. A brisa leva os resquícios da dor que me acompanhou por tanto tempo, torna o fardo que antes era pesado em algo suportável. Não é mais dor, é apenas uma tristeza melancólica que colore os dias, e não me deixa passar ilesa. Com trinta anos e alguns meses de alma, me vejo ainda tão miúda e quieta. Tão inexperiente diante das matérias do universo, e tão sentimental: Assim, velha de alma, e ainda entregue aos caprichos do coração. Mas eu preciso ser livre… Preciso olhar um pouco mais para dentro da minha alma, até encontrar algo bonito e inspirador que torne-se poesia, verso ou conto. Eu quero tirar da vida algo que ela já tirou de mim faz tempo, o encanto. Vou acordar em outras manhãs e sorrir para quem vejo passar na rua, mas ninguém vai saber… Ninguém pode saber da tristeza e dos anos de alma que carrego atrás dos moldes, e dos olhos brilhantes. Ninguém pode desconfiar do que há por detrás da minha alegria. Quando se trata da minha tristeza eu me torno egoísta, e não quero mostrá-la. Eu confundi o peso dos fardos com a leveza da minha tristeza. Não enxerguei a folha de outono flutuando sobre o rio… A folha só queria deixar-se ser levada até o momento em que o rio a jogasse no oceano. O oceano sou eu, é a minha tristeza. É a imensidão que beija o horizonte e me faz contente. É o que me deixa leve, e me dá asas. Vou flutuando na leveza da minha alma, contando estórias para a minha tristeza e colhendo estrelas. E mesmo com trinta anos e alguns meses, continuo menina, continuo frágil e sentimental. Entregue ao coração, feita de estrelas e desejos. – Isla Cezzani 
reticĂȘncias